Uma história de empreendedorismo

Sabe aqueles dias que você pensa em desistir de tudo? Então… eu perdi a conta de quantas vezes me vi chorando nessa situação. Tentei muitas ideias até chegar à minha querida Pipoca de Colher. Desisti tantas vezes de negócios que não se mostravam ir para o caminho que sempre sonhei. Mas, o mais importante, é que nunca desisti de mim e do meu maior sonho: ter um negócio inovador e lucrativo, que eu pudesse escalar nacionalmente (e até mundialmente) e, quem sabe, me levar um dia, a ser capa da Forbes.

Na verdade, quando comecei a empreender, eu só pensava em criar algo diferente e inovador. Algo que me tornasse referência. Escalar??? Eu nem sabia o que era isso. Vender nacionalmente e até internacionalmente??? Só entendi isso quando fui para o mundo digital. Faturar mais de R$ 1 milhão por ano, só quando cheguei com a Pipoca.

Há um ano, eu nem imaginaria esse número. R$ 1 milhão parecia algo tão distante, tão fora da minha realidade. Mas aí eu conheci alguém, o Dani, que se apaixonou por mim e pelo meu negócio e me mostrou que escalar era a única coisa que fazia sentido se eu quisesse construir um empreendimento de sucesso. Que planejar e “planilhar” eram as únicas formas de enxergar o caminho e a chegada.

Até esse ponto, vendia pipocas em feiras de food truck e gastronômicas e também para os amigos e familiares, que foram de extrema importância para que eu acreditasse que agora seria diferente. Desta vez, tudo o que aprendi nas minhas empreitadas poderia ser usado para o sucesso deste negócio. Pois, hoje, sei que se não fosse tudo o que vivi antes, não estaria onde estou. E fazer da minha paixão o negócio da minha vida era o que faltava para ter realmente uma empresa de sucesso.

Agora, apaixonada duplamente, pela Pipoca e pelo Dani, consegui focar nos números, nas planilhas e no planejamento, pois ele me ajudou a coordenar o meu sonho e direcionar o meu caminho. Sonhar sempre foi muito fácil pra mim, mas a realidade, por vezes, parecia chata e era sempre aí que eu acabava desistindo: por não ter encontrado, nunca, alguém para dividir este desafio. Nunca acreditei que cresceria sozinha, sempre pensei em crescer levando muitos comigo até o topo. Dividir para multiplicar sempre foi uma verdade dentro de mim.

Por fim, enxerguei que as feiras não eram o meu destino e sim parte importante do caminho, e que as minhas possibilidades estavam muito além de tudo o que já tinha imaginado. Quando criei a Pipoca de Colher, eu já criei pensando em vender para todo o país e ter franquias, antes até de conhecer o Dani. Já tinha também visualizado uma loja-conceito como nenhuma outra no Brasil, mas, até então, eu era muito boa no mundo das ideias, mas pouco efetiva na hora da realização. E, por isso, acho que se não fosse por ele, talvez esta idealização tivesse ficado também apenas na imaginação.

No entanto, ser empresária(o) no Brasil ainda é muito complicado. Cada trava ainda me fazia pensar em desistir: o custo da mão de obra com todos os encargos, regulamentação, falta de comprometimento de alguns fornecedores, aliás, quase quebrei por conta de um deles. Tem também a falta de apoio para automação e para conseguir dinheiro. Enfim, as dificuldades são bem maiores que as facilidades. Por vezes, pensei que deveria desistir do meu sonho de adolescente de ser empresária, para ser empregada em alguma empresa, como já tinha tentado um pouco antes de a Pipoca nascer. Mas, ainda bem que não fui por esse caminho.

Além da dificuldade natural de empreender no Brasil, tinha a maior dificuldade de todas que era a de fazer algo que ninguém tivesse feito antes. Não havia referências, não havia algo onde me espelhar, onde tirar dúvidas; tive que fazer tudo do zero, principalmente em relação à farinha de pipoca ou farinha fit.

Queimei e joguei fora muita pipoca antes de acertar os sabores e a melhor forma de fazê-las. Errei muitas vezes no processo de embalar, selar, datar. Até a decisão de usar açúcar natural e orgânico acabou me fazendo pensar totalmente diferente o processo, pois, para quem não sabe, o açúcar branco refinado leva tanta química que acaba virando um conservante artificial. E, na minha pipoca não usamos nenhum, o que prejudica a validade do produto e me faz correr incessantemente atrás de soluções naturais para que a minha produção dure mais, sem qualquer produto químico adicionado.

Eu assumi um compromisso comigo mesma, no início da minha empresa, de que faria dos meus produtos algo não só para se apaixonar e sim para se amar. Queria e quero levar mais que prazer para as pessoas que comem as minhas pipocas e os outros produtos por vir. Quero levar cada vez mais nutrientes funcionais, saúde, bem-estar e contribuir para uma vida mais longa e feliz para os meus clientes.

Uma vez, eu ouvi alguém dizer que "se uma pessoa ainda não obteve sucesso, foi porque não caiu o suficiente". Mas acho que a frase certa seria: “Se você ainda não obteve sucesso, foi simplesmente porque ainda não aprendeu o suficiente com as suas quedas”.

Sou grata por todas as minhas quedas, pelos meus concorrentes, pelos pouquíssimos clientes que vieram até mim com alguma queixa e pelos que criticaram a minha ideia, as antigas embalagens, os nomes, o slogan. Sou grata até pelos que me viraram as costas quando precisava de dinheiro para seguir em frente, pois foi assim que vi que dava para crescer sem grandes investimentos. E, hoje, sei que se tivesse muito investimento no começo, teria jogado fora, mas muito dinheiro fora mesmo, pois nem sabia direito aonde iria usar direito o dinheiro naquela época.

E, por falar em GRATIDÃO, queria dar um carinho especial, não para esta palavra de oito letras, mas para a importância do sentimento que essa palavra desenvolve na gente e que faz toda a diferença no meu dia a dia. Depois que aprendi a ser grata por tudo, a vida passou a se refletir para mim em constante gratidão também. É como se este sentimento trouxesse para perto o melhor de tudo, mesmo nos piores momentos. Se não fosse grata pelas quedas e pelas lágrimas, não teria enxergado o aprendizado em cada um daqueles momentos. Se não me sentisse grata pelas conquistas e cada sorriso, eu não teria feito aqueles momentos se multiplicarem na minha vida. Sem gratidão não existe felicidade. Sem gratidão só existem, no máximo, momentos alegres que passam tão rápido que não deixam registros duráveis na memória, fazendo com que se viva buscando sempre mais alguma coisa para ser feliz, quando, na verdade, a felicidade deveria emanar de dentro de nós e não ser conquistada por nós.

Desde os 13 anos, soube que seria empresária, porém precisei de 26 anos para me preparar para este momento. Agora, se não fosse grata por tudo e todos os que passaram na minha vida, hoje, ainda estaria infeliz, mesmo tendo alcançado tudo o que alcancei em tão pouco tempo ou, ainda, não teria alcançado coisa alguma.

Sejamos gratos, sejamos felizes, sejamos prósperos!

Conquistas do primeiro ano da Pipoca de Colher (2016): mais de 300 lojas atendidas, crescimento de faturamento mensal de R$ 3.000,00 para R$ 80.000,00, mais de 50 pedidos de franquia no pré-lançamento, nova localização em um prédio de 3 andares.

Conquistas para o segundo ano (2017): previsão de faturamento de mais de R$ 1 milhão sem aumento de produtividade e pontos de venda, 15 franquias montadas e funcionando.

Para 2018: o esperado são 100 franquias, nova linha de pipocas saudáveis, nova linha de produtos acessórios, aumento da produtividade com automação, mudança de local para um lugar mais amplo.